Procurei no Google e fiquei com vontade de ver esse filme, “Silence” (Chinmoku), de 1971.
Numa das eternas confraternizações que perdurarão até o fim de 2011, tento, em vão, conversar sobre medicina Ayurveda e veganismo com uma garota sentada em minha frente na mesa lotada de pessoas que não conheço. O barulho ensurdecedor de embriagados, músico ignorado ao violão tocando “Have you ever see the rain”, barulhos de copos e da chuva torrencial do lado de fora estavam praticamente me dando uma náusea. Era tanto mal estar que preferia ficar lá fora, sorvendo a fumaça do tabaco alheio.
2 da madrugada. Volto para casa. Um silêncio como nunca se ouve na cidade que nos deixa loucos, surdos e insensíveis, tudo ao mesmo tempo. Meu gato, todo serelepe e sem perceber o quanto estava desgastada, resolve brincar comigo de me morder, um de seus passatempos favoritos.
Pude ouvir o som dele abrindo a boca, do barulho do ar quando ele movia suas patas para me arranhar e de alguns grunhidos bem baixos que ele faz enquanto se diverte. Nunca, em oito meses, havia ouvido tais sons.
Escrevo isso enquanto um barulho ensurdecedor, envolvendo britadeiras, pedras sendo quebradas e mais um monte de prédios construídos em volta do meu lar vão desconstruindo minha capacidade de, simplesmente, vivenciar o silêncio. Não consigo ouvir sequer o som de meus pensamentos.
Onde está o silêncio? Gostaria de encontrá-lo antes que o ano acabe.
Caminhando pelas ruas, sinto algo desconfortável em meus ouvidos: o fone do iPod, sim, o par branquinho e infalível, parou de funcionar do lado direito. Mexi, remexi, mas sei que é impossível ressuscitar um fone e tive que admitir que o aparato faleceu.
Já que não consigo ouvir música de um lado só do ouvido, no retorno para casa procurei algum outro par. Achei um e, novamente, o lado direito não funcionava. Me redimi e não entrei em nenhum site de compras online para procurar um novo par.
Após 10 anos escrava dos fones de ouvido para me locomover, tive que aposentá-los. Será que aguento ter de ouvir exclusivamente meus pensamentos, deixando o momento musical para contemplação exclusiva?
Perfil
Árvore Azul tem o objetivo de mostrar que a forma física do corpo tem uma conexão clara com a mente e que nosso corpo é resposta de nossa atitude mental.