5
mai
2011
Antiginástica e consciência de si
Li um livro sobre antiginástica – O Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.
Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:
“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)
Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:
“Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)
De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).
Sobre a acupuntura como medicina preventiva:
“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).
O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.
20
jan
2011
Campus Party e a nudez
Estou lendo um livro que está traduzindo tudo que venho pensando, mas que nunca tive coragem de realmente pensar de maneira concreta. Chama-se Corpomente, de Ken Dychtwald (1978). O livro fala como o seu corpo fisíco é a prova concreta de sua atitude mental perante a vida.
Ele pede pra gente se olhar no espelho várias, várias vezes, nu. Você se olha: seus ombros, pés, pescoço, antebraços, nossas partes baixas (sim, elas existem), costas, queixo, dedos. O seu corpo físico é exatamente como você é em sua atitude mental.
Todas as descrições de meu corpo físico refletem minha atitude mental perante as coisas. Parece mentira, mas é óbvio e verdadeiro.
Janeiro, 2011. Campus Party.
Muitos geeks, pessoas consideradas nerds e pouco dadas ao convívio social. Enfurnadas em seus laptops e com fones de ouvido, ficam uma semana acampados, interagindo em seus MSNs, fóruns e Gtalks da vida.
Fisicamente? O estereótipo encaixa: ombros caídos, olhar baixo, pescoço atrofiado.
Depois desse livro, estão todos nus diante de meus olhos.
(Em tempo: nem todo mundo que está no Campus Party não está interagindo, debatendo, etc. Nem todo mundo que participou do evento é geek. Por isso, nem todos eram fisicamente parecidos)

