30
mar
2011
A revolta da questão do tempo e o desespero da comida
O que o Estado faz para a população diante dos níveis crescentes de relação bizarra com a comida?
O fator obesidade é relacionado diretamente à alimentação e à forma de produção de comida porque 80% de nosso gasto energético advém de nossas funções vitais – respiração, processamento de comidas, regeneração celular.
Os exercícios correspondem a 300 kcal por hora. Detalhe que, para nos mantermos vivos, gastamos, em média, 170 kcal a hora. Ou seja, usando a boa e velha matemática: gastamos apenas 130 calorias a mais do que se fôssemos sedentários e ficássemos sentados o dia todo. 130 calorias equivale a um chocolatinho de 30 gramas. Se os exercícios e a academia fossem a solução, todos os motoristas, taxistas, cobradores, etc., que ficam o dia todo sentados, seriam gordos. E todos os carteiros seriam magros. Mas isso simplesmente não acontece. O que existe é o comportamento sedentário: ir a todos os lugares de carro; não “consegue” nem cozinhar, pede um delivery e demora mais tempo esperando a encomenda do que fazendo a própria comida.
Acha que não tem tempo para cozinhar, mas tem tempo de ficar no Facebook ou de ver TV enquanto come um pacote de bolachas cuja embalagem está escrita 0% gordura trans.
FAÇA UMA COISA DE CADA VEZ POR HOJE.
Por hoje, é só.
28
nov
2010
Comida, vícios e infância

Tem vezes que tenho vontade de comer determinados alimentos nutricionalmente inúteis – normalmente, doces – sem saber por quê:
- pipoca doce
- pão de queijo
- petit four
- balas de caramelo
…
Lendo essa listinha, já dá pra notar que esses alimentos têm gosto de…Infância. Muitas pessoas que conversam comigo sobre a impossibilidade de ficar sem comer determinados alimentos citam sempre os bons e velhos chocolates, brigadeiros, batatas fritas, etc.
Perceberam que, assim como meus vícios favoritos, também são alimentos considerados infantis?
Teorizo isso como “rastros de memória”. Afinal, pipoca doce e petit four não são tão gostosos assim. Mas, em meu inconsciente, relembram os bons momentos da infância:
- a pipoca doce me lembra os momentos em que ficava de bobeira, vendo televisão na chácara;
- o pão de queijo e petit four, retomam o pedido mimado que fazia pro meu pai quando ele perguntava “quer alguma coisa da padaria?”;
- as balas de caramelo lembram minha adolescência, quando eu as chupava enquanto caminhava na volta do inglês.
Tempos felizes, momentos bons de minha vida, que tentam ser retomados com a ingestão irracional desses alimentos.
Antes de dizer “não consigo ficar sem comer chocolate”, faça uma autoanálise e tente se lembrar o por quê gostam tanto de chocolate. Normalmente, há uma lembrança da infância.
No meu caso, eu não quero parar de comer pipoca nem balas, mas a teoria dos rastros de memória me fez entender os motivos pelos quais os desejo tanto. E, além de ter maior compreensão de que vai ser difícil ficar sem balas de caramelo, pelo menos consigo administrar e moderar na quantidade.
17
nov
2010
A arte de comer peixes

Na fila de espera do banco, duas moças comentaram:
- Ai, hoje é sexta, é peixe. Odeio.
- Eu também, não tem jeito. Quero ser saudável, mas peixe, não dá. Só cru, do japonês.
Engraçado que eu só como peixe, quase não como outra carne. Peixes são incríveis: você pode comer todos os dias da semana, cada um com um gosto: salmão, meu favorito, bem gorduroso; pescada, mais levinha; atum, mais forte… E por aí vai. Cada semana eu experimento um novo peixe.
As pessoas dizem que não gostam de peixe. Bem, pra começar, o Brasil não tem cultura de peixe porque não sabe prepará-lo. Também desconhece os tipos, restringindo-se aos sem-graça cação ao molho e filé de tilápia à milanesa – os dois que menos gosto.
Outra alegação é de que é um alimento caro. De fato, é mais caro do que o frango. Mas o frango vendido por aí não é alimento – é quase um composto de hormônios. Melhor não comer nada, então.
Dica: pra comprar peixe mais barato, vá à feira bem no final. Com certeza você consegue um belo desconto.
Se não sabe comer peixe, pegue um bom livro de receitas, de preferência de culinária oriental ou mediterrânea, e mãos à obra!
