Posts com a tag ‘Mobilidade’

19

mar

2011

O silêncio japonês é a minha dor

Por Tati Aoki – 1 Comentário

Silêncio justificável nestas últimas semanas: o maior desastre no Japão fez meu choro durar horas, dias, semanas. Ainda não consigo ver, ler e comentar sobre absolutamente nada referente ao terremoto/tsunami/acidente nuclear que não me faça querer chorar.

Era para eu estar lá, fazendo mestrado ou trabalhando. Por motivos externos, ou seja, não exatamente por minha escolha, eu não estou no Japão. Mas a dor de ver que em cinco minutos um país foi à ruína é forte.

Enquanto turbilha lá, momentos viscerais por aqui. A cada dia que ando de bicicleta, surgem mais hematomas, marcas de graxa e mais marcas visíveis dessa minha nova realidade. Faz menos de um ano que aprendi a dirigir. Em menos de um ano, abandonei o carro.

Lembro de um dia eu ter dito à minha mãe: “Sabe o que eu mais sinto falta do Japão? De andar de bicicleta. Com qualquer roupa, em qualquer clima, de qualquer jeito”

Agora é hora de construir essa realidade aqui, na cidade mais caótica que já vivi, mas a cidade que nasci: São Paulo. Porque vai ser impossível andar de bicicleta no Japão do mesmo jeito que andei antes da tragédia.

11

nov

2010

Bicicleta e a hora da morte

Por Tati Aoki – Comente

Vou completar 10 anos de ciclismo, e considero andar de bicicleta uma das melhores coisas do mundo: a sensação do vento batendo no rosto, de recortar o trânsito enquanto todos se estressam dentro dos carros, é edificante.

Mas, ontem, andando com a magrela, também tive uma sensação estranha: a da morte. Estava andando na rua Domingos de Morais (iniciantes, nunca, jamais, peguem essa rua!), e cruzando com outra, tranquilamente. Um ônibus, que obviamente não me viu, por muito pouco não passou por cima de mim. Ele só não passou porque estava virando em uma rua estreita, sendo impossível correr.

Meu coração disparou mas, na hora, nada poderia ser feito. Eu estava nas mãos da reação do motorista.

O segundo em que você sente – “vou morrer…” – é longo e, ao mesmo tempo, muito curto. Me recuperei e continuei pedalando, meio ofegante, meio aliviada, até meu destino.

Uma hora depois, estava tirando a trava da bike para voltar pra casa, e um senhor de 80 anos me diz:

-    Deve ser bom andar de bicicleta: não polui, não pega trânsito, faz exercícios…
-    Verdade, por isso que é meu meio de transporte favorito.
-    Mas toma cuidado, tá? A gente só vive uma vez…

Isso. Entre bicicletas e aventuras, a gente só vive uma vez.