Posts com a tag ‘antiginástica’

16

set

2011

Eu só precisava dormir.

Por Tati Aoki – 1 Comentário

Meu gato é a maior inspiração no reconhecimento do corpo. Gatos dormem, alongam, não se deformam por motivos psicológicos.

Chego à aula de Antiginástica com ânsia e dor no pescoço, que me acompanhavam por cerca de dois dias seguidos. Explico as dores e as preocupações, decorrentes da minha ansiedade.

Depois de executarmos alguns exercícios para os pés, as dores no pescoço e a ânsia somem, mas acabo a sessão com uma dor de cabeça.

“Vá dormir”, recomenda a terapeuta.
“O que tem a ver? Fora que eu tenho que ler um texto para amanhã e tenho isso, aquilo, aquilo…”, respondo, afoita.
“São 6 da tarde. Chegue em casa, coma alguma coisa, e vá dormir”, ela finaliza e nos despedimos.

Caminho por cerca de 45 minutos, chego em casa, tomo uma sopa, não tomo banho, coloco o pijama e durmo às oito da noite.

No dia seguinte: nada, absolutamente nenhum sintoma.

E era só dormir? Era. Nosso corpo transmite sinais diversos para representar sintomas nem sempre óbvios. Pois é, eu estava exausta, meu corpo estava sinalizando, mas eu, ignorante na própria carne em que habito, não sabia o que ele queria dizer. Ainda falta muito até saber o que é essa massa que meu espírito habita.

Em tempo: a revista Vida Simples deu uma longa reportagem sobre o tema deste blog. Será que seremos ouvidos desta vez?

9

ago

2011

Seguindo caminhos

Por Tati Aoki – Comente

Tem vezes que acho difícil demais ser adulta. Me pego pensando: “O que, EU tenho que decidir isso? Como vou saber?”

Na aula de Antiginástica, ouço a seguinte afirmação: “Quanto mais você cria limites, mais livre se sente”.

E, depois que notei os limites da minha existência humana, me senti mais livre. Quando você começa a se conhecer, ver o que consegue ou não fazer, estabelece limites e sente-se, paradoxalmente, mais livre. Escolher entre x e y (ou z ou w), no início, parece bem difícil. Mas, depois que você escolhe, segue em frente enquanto acha que está no caminho mais adequado à sua pessoa.

A analogia é igual a um mapa: se você não segue nenhum mapa mental, se perde, pois começa a rodar em círculos. Eventualmente, mesmo sem caminho definido, você pode se encontrar, ou, se for ainda mais sortudo, encontrar um atalho. Mas nem sempre atalhos são os melhores caminhos.

Por conta disso, desisti oficialmente da ioga. É um caminho ótimo, interessantíssimo, mas que não condiz com minhas práticas corporais, mentais e espirituais. Se você faz ioga, kendô e dança contemporânea ao mesmo tempo, alto lá: todos são caminhos que levam a elevações corpo/mente, mas são caminhos distintos. Pense nisso.

Uma hora, chegará o momento da decisão.

5

mai

2011

Antiginástica e consciência de si

Por Tati Aoki – Comente

Li um livro sobre antiginásticaO Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.

Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:

“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)

Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:

Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)

De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).

Sobre a acupuntura como medicina preventiva:

“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).

O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.