5
jun
2011
Ginástica para o corpo e a mente
Eu e minha gatinha, lânguidas, tomando sol de inverno da manhã e nos espreguiçando por uns 15 minutos, é uma cena matinal cotidiana.
Esqueci que, de um ano para cá, demoro cada vez mais para começar o dia de fato. Se tenho um compromisso às dez, tenho que acordar, no mínimo, às sete. Isso porque, antes, executo as seguintes tarefas – não necessariamente, mas preferivelmente, nesta ordem:
- Arrumo a cama;
- Tomo banho;
- Alongo e faço trabalhos de reconhecimento corporal;
- Medito.
Só depois que me visto, tomo café da manhã, escovo os dentes e saio de casa. Se acordo e pulo as etapas de meditação e alongamento, por exemplo, meu dia começa incompleto e, de certa forma, estranho.
E a preguiça?
Você tem que se conhecer a ponto de identificar quais partes do corpo quer trabalhar no dia que começa: são os pés? Os braços? A pélvis? O pescoço? Ao identificar, seu corpo automaticamente começa a responder aos exercícios, e o mesmo se dá pela meditação: não precisa ficar em posição de lótus para meditar. Pode ser sentado, em pé, deitado. Não há regras, e sim exposição aos sentidos.
Às vezes minha gatinha quer participar da ginástica e eu permito, embora isso me distraia um pouco. Mas quando chega a meditação, por algum motivo, ela espontaneamente pede para sair do meu quarto.
Sim, a natureza é sábia.
5
mai
2011
Antiginástica e consciência de si
Li um livro sobre antiginástica – O Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.
Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:
“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)
Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:
“Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)
De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).
Sobre a acupuntura como medicina preventiva:
“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).
O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.
14
abr
2011
Descobrindo como se respira
Passei ao menos 20 anos de minha vida sem saber respirar direito. Agora, onde quer que eu vá, presto muita atenção à função respiratória. Depois que descobri que preciso sentir minha respiração, aprendi a entender minhas funções biológicas de uma forma mais real e clara.
Quando respiro profundamente, as funções ficam mais lentas e, por consequência, me acalmo. Por isso, o conceito de tempo acaba mudando: acredito não no tempo cronológico, ditado pelos homens, e sim no tempo subjetivo, o nosso, o da natureza. Tudo fica tão, mas tão mais lento, que parece que estamos vivendo como naquele clipe das Spice Girls, Two Become One, ou no filme Matrix. São referências pop chiclete, porém mostram bem como me sinto ultimamente.
Almocei no bandejão da USP e não consigo recordar quantas pessoas se levantaram e sentaram ao meu lado. E eu lá, também sem ter a menor noção de quanto tempo fiquei à mesa.
Qual o tempo dos homens, que se acelera a cada dia? E qual é o tempo real?
30
mar
2011
A revolta da questão do tempo e o desespero da comida
O que o Estado faz para a população diante dos níveis crescentes de relação bizarra com a comida?
O fator obesidade é relacionado diretamente à alimentação e à forma de produção de comida porque 80% de nosso gasto energético advém de nossas funções vitais – respiração, processamento de comidas, regeneração celular.
Os exercícios correspondem a 300 kcal por hora. Detalhe que, para nos mantermos vivos, gastamos, em média, 170 kcal a hora. Ou seja, usando a boa e velha matemática: gastamos apenas 130 calorias a mais do que se fôssemos sedentários e ficássemos sentados o dia todo. 130 calorias equivale a um chocolatinho de 30 gramas. Se os exercícios e a academia fossem a solução, todos os motoristas, taxistas, cobradores, etc., que ficam o dia todo sentados, seriam gordos. E todos os carteiros seriam magros. Mas isso simplesmente não acontece. O que existe é o comportamento sedentário: ir a todos os lugares de carro; não “consegue” nem cozinhar, pede um delivery e demora mais tempo esperando a encomenda do que fazendo a própria comida.
Acha que não tem tempo para cozinhar, mas tem tempo de ficar no Facebook ou de ver TV enquanto come um pacote de bolachas cuja embalagem está escrita 0% gordura trans.
FAÇA UMA COISA DE CADA VEZ POR HOJE.
Por hoje, é só.
27
mar
2011
A febre que não passa
Fazia tempos que eu não me sentia fisicamente doente – e ontem, bateu. Depois de pedalar na Bicicletada, acordo com uma sensação de cansaço além do normal. E, para completar o desgaste, ando, pedalo, pego ônibus, metrô e não páro até relaxar dentro de um ar condicionado fortíssimo de um lugar chamado Café Aurora – sei lá o que significa uma casa de rock chamar Café Aurora. Mas eu estava lá, tomando uma capirinha de saquê, a única bebida alcóolica que vale a pena o esforço de engolir.
Entre um Beatles e Doors, começo a suar frio e a tremer sem parar. Desço as escadas, como em um pesadelo, e fico ali nos banquinhos, tremendo, com a esperança de que ninguém veja essa cena deprimente em uma balada animada.
Durmo por uns cinco/dez/eternos minutos e me recupero um pouco. Mas a febre simplesmente não passa depois de um cochilo na mesa do bar.
Depois do pesadelo, vou dormir. O calor lá fora era de 30 graus, mas eu tremia de tanto frio. Acordo no dia seguinte, meio sem norte (diga-se, lesada), com a garganta doendo.
Como eu sinto frio em um calor de 30 graus?
FEBRE é a dor interna que não te faz ver a verdade.
You little shit, you’re in it now
I hope they throw away the key.
Yer should have talked to me more often than you did, but no!
You had to go your own way, have you broken any homes up lately?
Just five minutes, Worm, Your Honor, him and me, alone.
The Trial – Pink Floyd



