2
mar
2012
#foreveralone
Estava lendo uma revista para garotas dentro do metrô. Há uma matéria falando dos desejos da adolescente e, dentre esses desejos, havia os seguintes:
- Emagrecer
- Ser popular
- Ir bem na escola
- Fazer amigos
- Arrumar um namorado
- Parar de brigar com a família
Alguém se identificou com algum desses desejos? Na hora que os li, pensei: será que só envelhecemos cronologicamente e que, como dizia Freud, nossa personalidade é moldada por completo aos sete anos? E que tais desejos acima revelam a necessidade humana de, no final das contas, amar e ser amado?
Nossa lista de desejos nunca terá fim. Deixei a revista nos bancos do metrô e segui meu rumo.
Na manhã seguinte, fazendo ioga, fiquei deitada e depois coloquei minha cabeça entre meus joelhos. Nunca senti tanta paz com essa posição banal, mas que revelou que seremos sempre sozinhos, e que a diferença entre uma vida plena e outra recheada de expectativas, ansiedades e frustrações é a maneira como encaramos os fatos e as mudanças que nos sucederão.
All alone
All alone
close your eyes and see
when there ain’t no light
all you’ll ever be
come and save the night
cause i don’t leave
when the morning comes, it doesn’t
seem to say an awful lot to me
All alone
All alone
All Alone – Gorillaz
Música “All Alone”, do Gorillaz. Posso dizer que essa é a banda que mais expressa, por meio da música, o que penso sobre a vida.
Obs: o título do post vem de uma das matérias, sobre o medo da garota de ficar #foreveralone
15
fev
2012
Desintoxicando a mente e o corpo
Máquina de escrever: cena de Adaptação, com Nicolas Cage
Fiz um post para o blog, mas o assunto era o mesmo do anterior. Se estivesse em uma máquina de escrever, teria arrancado a folha, amassado e jogado no cesto já lotado de papéis. É, o mundo era mais concreto há alguns anos. Hoje, simplesmente continuei a escrever nas linhas de baixo do Word.
Lembro do filme “Adaptação”, em que Nicola Cage tem que escrever um roteiro, mas suas preocupações mentais o impedem de fazê-lo. O filme é interessante porque mostra que, quando se tem que usar todas as capacidades mentais, se a mesma não estiver 100%, simplesmente não sairá nada decente.
E o corpo físico? Quando ele não está 100%, o corpo se adapta do jeito que dá, e surgem nossas dores físicas, dores musculares, nos ombros, pescoço, torções e tudo o mais. Você está todo torto enquanto lê este post? Ou faz como eu, que tem a mania de ficar com a mão esquerda no queixo enquanto a direita fica scrollando o mouse?
Penso que a única forma de livrar-se das preocupações mentais é um programa de desintoxicação do corpo, da mente e das emoções. Recomendo o livro (cujo nome é o título do post) que me deu o diagnóstico impreciso de intoxicação mental – da autora Jane Alexander. Se não estiver a fim de beber todas no carnaval, o programa dado por ela pode ser uma alternativa para começar o ano – vamos confessar que, no Brasil, o ano só começa depois do Carnaval.
Bom feriado!
30
jan
2012
O que é o amor?
Estou lendo sobre isso no livro “Rodas da Vida”, de Anodea Judith. O livro fala sobre conexão corpo/mente por meio dos chacras ou pontos energéticos. E o quarto chacra é o do amor, que fica, claro, no coração.
São dezenas de páginas dedicadas a exercícios que ativam o chacra, como os de respiração. Em essência, isso significa que o quarto chacra é uma das principais comunicações com o mundo externo, isto é, é a troca de ar e de sentimentos com o outro.
Porém…O que é o amor? A indústria cultural nos remete ao amor apaixonado entre duas pessoas, romântico e tal. Mas será que é isso mesmo? E o amor a uma causa, amor-próprio, amor aos amigos e, por que não, ao seu trabalho? Eles também existem e devem ser lembrados.
Penso que o amor é uma das maiores forças do ser humano, por isso a famosa frase “Deus é amor.” Por amor a gente perde o medo, o sono, sente uma força inesgotável, mas que dificilmente ultrapassa o limite do corpo físico. Ou seja, o amor pleno é incondicional, quase onipotente, mas sabe os limites. É equilibrado – o corpo e mente em conexão plena. Quando isso não ocorre, cuidado – provavelmente é a cilada da paixão: volátil, atraente e perigosa como o fogo.
Mesmo lendo em diversos dicionários o termo “amor”, o significado continua um mistério - tanto pelo uso inapropriado por parte de segmentos da indústria cultural (principalmente cinema, músicas e novelas), quanto pela confusão generalizada entre amor e paixão.
A paixão pode trazer infelicidade aos outros. O amor, não.
22
jan
2012
Um corpo que cai
Olhando bolsas de estudo de mestrado, leio editais e mais editais ao longo de um sábado à noite. À medida que leio os regulamentos frustrantes – só bolsas para doutorados, áreas de exatas e biológicas, bolsas para o exterior – vou automaticamente afundando na cadeira de escritório ergonômica e entortando minha coluna vertebral até sentir-me um amontoado de pele, músculos e ossos.
Nosso corpo físico é uma resposta automática da nossa atitude mental. E é aí que eu, uma árdua usuária de minha capacidade cerebral, digo que há uma superestimação da mente, que acaba prejudicando o corpo. O que o seu corpo tem a ver com o fato de que sua mente sofre? Claro, é um corpo só, mas a mente, o cérebro, o controlador, acaba modificando nossas atitudes corporais conforme a mente.
Quando ficamos tristes, o olhar abaixa, perde o brilho. Se desanimamos, os ombros caem e ficamos cabisbaixos.
Como seria se nossas emoções e nossa mente não interferissem no nosso corpo? Provavelmente não teríamos distúrbios alimentares, pessoas caminhando com os pés pra dentro, problemas de coluna. Mas não seríamos humanos, e sim, animais.
O equilíbrio é a consonância com nossos sentidos animais e os humanos, estes, considerados mais elevados. E esse equilíbrio nos falta, na micro instância, com o nosso corpo. Não conhecemos o corpo que habitamos.
Que dirá o equilíbrio com o macro, ou seja, nossas relações entre humanos e o ambiente? Até quando vamos superestimar o cerebral, o mental, o “querer”, e não sentir que há uma instância maior, a incontrolável natureza, que sempre nos arrebata quando menos esperamos?
Quando a natureza nos pega, só nos restará chorar e nos render.
You know, it’s going to get harder, and harder, and harder
As you get older
Dogs – Pink Floyd
11
jan
2012
Ano Novo é pra se molhar
Passei o ano novo na praia, na chuva. Foi a primeira vez que passei um ano novo de branco, com amigos queridos, na praia, pulei ondas e joguei flores ao mar.
A primeira vez.
Já passei ano novo de pijama, esperando dar meia noite para voltar a dormir; passei com a família, no tédio do comportamento programado; no frio insuportável de um inverno no estrangeiro; com amigos de faculdade, no estilo ingênuo colegial.
Esse foi meu melhor reveillon, mas é o ano com menos expectativas que já tive (até onde me lembro), porque comecei sem nada de concreto, sem nada começando. Tudo seguindo um rumo incerto, e não no bom sentido.
Todos os anos começam com expectativas, em viradas não tão legais. Este ano fiz uma virada incrível, com expectativas nem um pouco animadoras. O que acontecerá? O tempo dirá, sempre o tempo, famigerado tempo.
Enquanto eu não entender o tempo da natureza, nunca entenderei a dinâmica do universo, que pouco ou nada tem a ver com viradas de ano, com 2012-fim-de-mundo-avatar. O tempo diz tudo, e o que podemos fazer? Esperar com a maior resiliência possível, porque o tempo não quer saber de nada.
The sun is the same in a relative way, but you’re older
Shorter of breath and one day closer to death
Time – Pink Floyd







