Posts da categoria ‘Pensar’

4

set

2013

Manaus: viajando com o boto-cor-de-rosa

Por Tatiana Aoki – 9.690 Comentários

Passeio de barco pelo Rio Amazonas.

Desde que me conheço por gente, tinha um sonho: conhecer Manaus. Não, não era Bonito, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis. Era Manaus. Queria ver a floresta amazônica, olhar o rio, comer comidas típicas, entrar no Rio Negro…E aí vamos nós!

Peguei o vôo e me senti a maior desbravadora: do alto do avião, vi aquela floresta imensa e um rio que não tinha fim. Já senti um arrepio e a música majestosa do Rei Leão veio imediatamente à minha mente:

Mas, também prestei atenção às recomendações quanto ao lado negativo da cidade, que são:

-       calor. Muito calor;
-       sujeira;
-       exploração do turista.

Pois bem, tudo isso é realmente verdade. Pelo locais em que andei, grande parte de Manaus se parece a região da Luz, só que a parte suja. É, aquela mesma, atrás da estação da Luz – em que há mais sujeira e vendedores ambulantes do que lugar para caminhar.

Ainda com essas ressalvas, continuei na minha principal meta: conhecer a floresta amazônica. Sim, o lugar é amazônico – eu até dormi no trajeto de barco até a tribo indígena, porque é bem longe, leva mais de uma hora. Esse passeio, fora a experiência de uma semana na cidade, me levaram aos prós e contras de Manaus (AM):

Pontos Positivos:

1)   Comida. Se você gosta de peixe, Manaus é o paraíso. Comia todos os dias, já que em qualquer lugar há peixe. Gostei ainda mais porque costumo sofrer para achar lugares com peixes bons e acessíveis em São Paulo.

2)   Comida. As frutas são incríveis: abacaxi sem acidez, bananas perfeitas, mangas de vários tipos, mamão…Delírio para os amantes de frutas – novamente, o meu caso.

3)   A floresta. Ir ao Amazonas e não fazer um passeio na mata, mexer em um boto e nadar no Rio Negro é como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel.

4)   Casas flutuantes. Sim, há uma comunidade de casas, comércio e até igreja “Deus é Amor” em versão flutuante. Se estiver em um passeio de lancha, peça para ver essas peculiaridades.

Pontos Negativos

1)   Calor. É quente mesmo. Não consegui correr por mais de 20 minutos no parque, porque me senti muito cansada em pouco tempo. E olha que eu sou friorenta.

2)   Sujeira. Se uma coisa tem que ser melhorada em Manaus, é a limpeza. Realmente, é sujo: lixo espalhado por todo lugar e mercados com lixos a céu aberto são cenas recorrentes.

3)   Trânsito. É um problema em várias cidades do país, mas, particularmente em Manaus, a coisa é braba. Quase não há semáforo para pedestres, e os veículos dirigem totalmente sem noção. Para piorar, não há faixas divisórias nas vias. Pois é, não há faixas nas ruas – e as calçadas são tão esburacadas que é melhor esquecer o salto alto.

4)   Turistas. Sabe-se que a exploração ao turista é bem comum em qualquer lugar. Só que, no caso de passeios como na floresta, a exploração é ainda maior, porque ficamos 100% dependentes de agências de viagens. Fique de olho e peça recomendações antes de fechar seu pacote!

E hoje começa o congresso do Intercom, onde ministrarei uma oficina sobre estratégias de Facebook. Acabou o turismo, mas começa o maior congresso de comunicação da América Latina!

Obs: sei que o post não tem nada a ver com o propósito do blog, mas, achei que valeria a pena compartilhar essa experiência ;)

17

jul

2013

“Menos é mais”…em Buenos Aires

Por Tatiana Aoki – Comente

A frase acima, muito difundida em nossos tempos de excesso, parece sutil, mas é bem difícil de cumpri-la na prática. Contudo, mesmo sem pensar na questão, acabei incorporando algumas práticas da simplicidade em uma viagem. Vamos lá:

Fui pela primeira vez a Buenos Aires para participar de um congresso. Percebi que lá (ao contrário do Japão) é igual ao Brasil: se você quiser, pode gastar bem pouco. Mas, se quiser, pode torrar todo seu dinheiro, sobretudo com comida e souvenirs.

E, quando se viaja sozinha, você pode fazer escolhas livremente – o que é bom e ruim. Fiz péssimas escolhas alimentares – como um restaurante japonês que custou mais de 150 reais e uma torta que comi e depois passei mal. Ou, quando fui ao cemitério da Recoleta e todo mundo só ficava dando risada e tirando fotos, tirando totalmente o clima de cemitério.

Mas, o mais interessante é que as melhores coisas que vivenciei foram as mais simples. As melhores comidas foram as que cozinhamos no hostel – um frango feito por colombianos, um bolo feito por um francês e uma empanada que comi no meio da madrugada, em uma casa de dois velhinhos que vendiam para quem havia saído na noite portenha.

Ou, quando caminhei por mais de 10 quilômetros em um frio de seis graus e só percebi à noite que estava com bolhas nos pés. Aliás, meus programas favoritos de Buenos Aires não foram as atrações turísticas: foram as caminhadas e conversas com pessoas do mundo todo.

Sim, o que importa são as coisas simples, que nos confortam e mudam nossa vida – mesmo sem querer.

21

mai

2013

Decisões da nova era

Por Tatiana Aoki – 13.499 Comentários

Essa imagem é antiga - nota-se pelos modelos de celulares...Imagina como está hoje?

Faz muito  tempo que não escrevo aqui. Seja por estar finalizando a dissertação de mestrado e o trabalho, seja pelas reflexões que pairam sobre o meu futuro.

Bem, a verdade é que, diante dos fatos, não posso mais negar que as mídias sociais são o direcionamento de minha carreira. Nesse quesito, noto o quanto as mudanças cotidianas são cada vez mais drásticas:

1)   Deixamos de postar em blogs para opinar diretamente no Facebook;

2)   As empresas não criam mais sites, e sim, páginas nas redes sociais;

3)   Ninguém presta atenção em nada ao redor, de tão vidrados no Face, Whatsapp e games;

4)   Pessoas absolutamente relutantes e céticas em relação a redes sociais resolveram criar um perfil no “Face”.

Bem, acho tudo isso muito interessante, mas…Esse movimento acontece no Japão há mais de quatro anos. Na época em que morava lá, pensava: “Será que os brasileiros um dia ficarão assim, só olhando para suas telas de celulares? Não, acho que no Brasil seria meio perigoso essa distração toda”. Ledo engano.

Hoje, no metrô, observe: estamos todos vidrados nos celulares e tablets.

Noto também que meu comportamento mudou: li meus últimos livros no Kindle e não senti nenhuma diferença – pelo contrário, achei até melhor, porque os  “livros” ficam mais leves.

O meu ultimato se deu no domingo de manhã, quando li a Folha no tablet. Sempre acreditei que a coisa mais gostosa do mundo era ler jornal impresso após tomar café da manhã. E, não, lá estava eu, lendo no tablet porque estava com preguiça de comprar o jornal na banca.

Pois é, essas e outras constatações me fizeram confirmar que devo continuar minha trajetória profissional em mídias sociais, que começou com um blog e um perfil no Orkut em 2004, passou pelo Face em 2007 e, hoje, fico pensando qual será a próxima galinha de ouro digital.

Por outro lado, acredito que minha pesquisa – alimentação – também seja um assunto extremamente atual. Mas, considero-a ainda um movimento de influência menor, pelos motivos a seguir:

1)   o governo não quer mexer no vespeiro da indústria alimentícia e farmacêutica;

2)   frequentemente, as pessoas não querem mudar os hábitos e deixar de comer coisas que nem podem ser chamadas de comida;

3)   no Brasil, comida não é tanto questão de escolha, mas, necessidade. Por isso, a dificuldade em mudar.

Enquanto tomamos leite com uréia em nossos pacatos cafés da manhã, mudamos diariamente nossos hábitos de nos comunicar e interagir. Só observo – e me divirto. Compartilharei esse post no Face, claro.

Obs: pretendo mudar radicalmente este blog – principalmente pela invação de spams nos comentários e, claro, pelo fato de este blog estar velho em  todos os sentidos. No segundo semestre, novidades ;D

30

mar

2012

Meditação: como fazer?

Por Tatiana Aoki – 13.424 Comentários

Comecei a meditar (de novo) há pouco menos de três semanas. E os progressos são claros: sono mais tranquilo e ininterrupto, mais tranqüilidade e, o melhor benefício de todos: saber que sua mente pode parar e viver o agora.

Sempre achei normal ter uma mente que vagava pra lá e pra cá em pensamentos e também conviver com alguns mais intermitentes, outros menos. Afinal, eles sempre estavam lá, fazendo uma dança na minha cabeça.

Os únicos momentos em que não pensava em nada era ouvindo música, dançando, andando de bicicleta, trabalhando, escrevendo ou fazendo ioga. Nem dormindo eu parava de pensar, porque pegava no sono ainda burilando pensamentos.

Hoje, vi que é plenamente possível viver sem ter esses pensamentos, ainda que seja uma tarefa muito difícil.

O que é meditar?

Meditar não tem nada de misticismo – no Oriente, a prática da meditação é conhecida há milhares de anos. E a importância é simplificada da seguinte forma: assim como lavamos nosso corpo, meditar é como lavar a mente da enxurrada de pensamentos que nos tomam no dia-a-dia.

Ainda falta muito para eu conseguir dizer os benefícios reais da prática – estudos indicam que as mudanças cerebrais se dão, em média, após dois meses de meditação diária.

Como meditar?

Cada um encontra um jeito melhor de meditar. Eu medito todos os dias, de manhã (em jejum) e à noite, por 20 minutos. Sento, fico de olhos fechados e acompanho minha respiração. Às vezes sinto apenas um minuto de atenção plena em meio a uma enxurrada de pensamentos que vão e vêm. Às vezes, entro em estado meditativo por mais tempo. Mas, ao menos, consigo detectar quando a meditação acontece.

Admito também que, às vezes, a rotina nos devora a tal ponto que não conseguimos ter a disciplina de meditar. Já deixei de fazê-lo por cerca de três vezes, por preguiça, cansaço ou pressa.

O pior é saber o quanto de idiotices pensamos o tempo todo, e ver como você se apega a assuntos irrelevantes. No meu caso, o pior é tirar as músicas da cabeça – já me peguei com músicas de infância e outras que jamais lembraria em outro estado que não o de meditação.

Ainda falta muito para me considerar alguém que medita. Contudo, já sinto os progressos, que se ampliarão se conseguir realizar os 5 Ds, conforme li no livro “Iniciação ao Yoga”, de José Hermógenes: dedicação, decisão, disciplina, discernimento e devoção.

7

dez

2011

To give or to receive?

Por Tatiana Aoki – 13.333 Comentários

From the movie Lost in Translation (2003)

Artists and famous people are used to say that they have no privacy and so on. But in the other hand, they are also the ones that love the flashlights from paparazzi whenever they can. So, in some way, eveyone wants to be found, like it is said in Lost in Translation.

This makes me think that the fact that you are not forgotten and not anonymous makes you feel part of the world. And then, Mark Zuckerberg created Facebook, probably thinking that anonymous people wanted to be a celebrity, even if it is only between their 500 friends.

And everyone exposes their best phrases, bodies, pictures, songs, videos. Yeah, we want everyone to Like your life, even if it is miserable after turning off the computer – which is becoming even more difficult now, because people tend to not disconnect at all after Smartphone and their check-ins in Foursquare or Facebook Places.

So, the feeling of emptiness, of the absence of Likes, makes us seeing our reality that, maybe, we are having the same disease as the 15-minute celebrities: we want to be exposed in any circumstance – well, it would be ideal if it is just in our beautiful pictures, trips and clever phrases collected somewhere in the web.

That is why we feel so empty. We gave too much of ourselves into things that are not going to make us a better person. We have this Western tendency to give feelings, emotions, like everyone would like to receive it. Maybe they want, but you do not need to give what you do not have – if you don’t have any inner love, how could you share it? Someone would say the love is the meaning of life. But if you don’t have it, what can you do? Pretend that you have and make a huge effort to expose on social media again?

Maybe it is time to protect ourselves from being exposed, because it can be too late, and we will be acting like the 15-minute celebrity – if we are not already acting like that.

Save some of yourself to give your best from those who really deserves your best.