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23

mai

2011

Tentativa de jejum – Parte 1

Por Tati Aoki – Comente


Jejum em espanhol = ayuno

Acordei com vontade de jejuar e resolvi, pela primeira vez, de fato tentar, já que nunca havia ficado 24 horas sem alimento.

Fiquei exatas 16 horas sem ingerir nada, contando as horas de sono. Havia planejado dedicar o dia à leitura, ou seja, em praticamente não me mover.

Fiz meus exercícios matinais, meditei.

Estava tudo ok, li meus emails e, em seguida, apanhei o livro Cidadania, Classe Social e Status, de T.H. Marshall. Levei cerca de 20 minutos para ler um parágrafo e não conseguia raciocinar. Ou melhor: raciocinava, mas com uma lentidão absurda, pois cada frase era de um esforço descomunal para compreender. Ia e voltava nas frases, e parece que não as compreendia. Tive que desistir se quisesse ler 10 páginas em uma hora. E comi, para recuperar as forças – o retorno da energia foi imediato e consegui escrever esse post.

Como jejuar?
Só é possível se não fizermos nada o dia todo? Foi o que me pareceu.

Parece que não, mas a atividade mental exige muita energia, o que me leva à reflexão do livro: se metade da população do planeta não tem sequer alimentos para suas necessidades diárias (um direito social), como pode ele pensar de forma plena e agir? Por outro lado, como pode agir uma população que come muito, mas come mal, e também fica letárgica, mas pelo excesso de energia nula em seus corpos?

Voltando à minha experiência: tentarei jejuar novamente em uma próxima ocasião, mas sei que não conseguirei executar tarefas mentalmente complexas – talvez eu fique somente sob o sol de inverno, contemplando o ócio. Aí sim, conseguirei esquecer de minha existência nesse mundo?

Alguém quer se juntar a essa minha empreitada nem um pouco fácil?

Observação: procurei, no Google, imagens que correspondessem à palavra Jejum em, respectivamente, espanhol, inglês, chinês e francês (consulta aos dicionários Michaelis e Infossek). Essas são minhas imagens favoritas em cada idioma.


Jejum em inglês = fast


Jejum em chinês = 断食

Jejum em francês = Jeun

Observação 2: meu blog encontra-se com problemas de RSS e de postagens. Se alguém souber as soluções, agradeço :)

5

mai

2011

Antiginástica e consciência de si

Por Tati Aoki – Comente

Li um livro sobre antiginásticaO Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.

Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:

“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)

Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:

Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)

De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).

Sobre a acupuntura como medicina preventiva:

“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).

O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.