Um corpo que cai
Olhando bolsas de estudo de mestrado, leio editais e mais editais ao longo de um sábado à noite. À medida que leio os regulamentos frustrantes – só bolsas para doutorados, áreas de exatas e biológicas, bolsas para o exterior – vou automaticamente afundando na cadeira de escritório ergonômica e entortando minha coluna vertebral até sentir-me um amontoado de pele, músculos e ossos.
Nosso corpo físico é uma resposta automática da nossa atitude mental. E é aí que eu, uma árdua usuária de minha capacidade cerebral, digo que há uma superestimação da mente, que acaba prejudicando o corpo. O que o seu corpo tem a ver com o fato de que sua mente sofre? Claro, é um corpo só, mas a mente, o cérebro, o controlador, acaba modificando nossas atitudes corporais conforme a mente.
Quando ficamos tristes, o olhar abaixa, perde o brilho. Se desanimamos, os ombros caem e ficamos cabisbaixos.
Como seria se nossas emoções e nossa mente não interferissem no nosso corpo? Provavelmente não teríamos distúrbios alimentares, pessoas caminhando com os pés pra dentro, problemas de coluna. Mas não seríamos humanos, e sim, animais.
O equilíbrio é a consonância com nossos sentidos animais e os humanos, estes, considerados mais elevados. E esse equilíbrio nos falta, na micro instância, com o nosso corpo. Não conhecemos o corpo que habitamos.
Que dirá o equilíbrio com o macro, ou seja, nossas relações entre humanos e o ambiente? Até quando vamos superestimar o cerebral, o mental, o “querer”, e não sentir que há uma instância maior, a incontrolável natureza, que sempre nos arrebata quando menos esperamos?
Quando a natureza nos pega, só nos restará chorar e nos render.
You know, it’s going to get harder, and harder, and harder
As you get older
Dogs – Pink Floyd


Eis a virtude de conseguir sentir o corpo próprio numa meditação instante, seja de cansaço ou de vontade, para o redescobrir. Obrigado, Tati, para relembrar a gente desta regra fundamental.
“Orandum est, ut sit mens sana in corpore sano” ou Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Os animais têm a mesma questão, abaixam o olhar e se comportam de maneira lenta e cuidadosa quando estão tristes. Temos mais em comum com eles do que gostariam muitos de nós “humanos”. Já viu esse video:http://youtu.be/DRJqrLd7MrE ?
Aprender a “ouvir” o próprio corpo é um grande desafio! E libertador… Gostei do texto, Tati! Beijos