14

dez

2011

A voz da maturidade

Fui a uma festinha de confraternização do local em que faço pilates, no meio da tarde. E, entre cerca de 40 pessoas, eu era a única dos alunos com menos de 60 anos.

“Os mais jovens estão na academia”, disse uma das alunas, com seus mais de 70 anos.

Não desmerecendo a academia, afinal, já fiz esteira por alguns meses e até que não foi tão chato assim, mas…Será que seu corpo-mente aguenta, por muitos, muito anos, fazer movimentos mecanizados em aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura?

Embora “os jovens” estejam suando em esteiras e academias, a verdade é que os mais velhos têm muito a nos ensinar – e um desses ensinamentos é que, nem sempre, os movimentos vigorosos são os que te farão sentir prazer em atividades físicas. Às vezes, movimentos leves, porém precisos e prazerosos, são os que te darão motivação para exercitar-se independente da faixa etária.

Se me senti excluída no meio de pessoas bem mais velhas em uma festa que só conhecia o professor? Pior que não, porque os idosos (assim como as crianças), têm a tendência a eliminar o tal do ego e, por isso, não têm o menor pudor em puxar papo e falar de qualquer assunto com uma leveza sobrenatural – ao contrário de jovens, adolescentes e adultos, mais influenciáveis pelo que “os outros” irão pensar.

Temos que aprender com a sabedoria e a experiência do idoso. Eu não tenho mais avós, mas, se tivesse, não perderia a oportunidade de longas conversas com a voz da maturidade.

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4 Comentários para “A voz da maturidade”

  1. Alexandre disse:

    Muito interessante, concordo plenamente com tudo e adoraria que todas as pessoas tivessem maturidade para bater um bom papo como as pessoas idosas, é por isso que as vezes vou a bailes da saudade simplesmente para bater papo, já que as mulheres maduras não te julgam antes de te conhecer, o que geralmente acontece nas baladas cool da vida…

  2. Anônimo disse:

    Eu tinha um grande amigo japones chamado Ioshio Ishi. Sempre conversávamos sobre coisas da vida, sobre as diferenças entre os bons e ruins e a vida e seus altos e baixos. Quando ele foi embora senti um vazio muito grande dentro de mim e sabia que não o veria novamente pois ele já com seus 87 anos de pura serenidade e sabedoria estava cansado. Quando ele saiu pelo portão de minha casa e acenou com a mão a alguns passos adiante, realmente senti algo. Passaran-se dias e mais dias e logo se foi um ano em que meu amigo tinha ido embora, as lembranças das conversas que tivemos nos finais de tarde e aquele jogo de xadres que mais parecia um filme de tão demorado que era, realmente sentia falta disso e realmente saberia que não o veria mais. Dias atrás recebi a noticia de seu falecimento. Chorei em silêncio debaixo do chuveiro para amenizar a dor que sentia. Eu aprendi muito com meu amigo, uma coisa ele sempre dizia: “ri sempre, vive bem e ama muito”. Isso eu sigo até hoje.

  3. bira garrett disse:

    Eu tinha um grande amigo japones chamado Ioshio Ishi. Sempre conversávamos sobre coisas da vida, sobre as diferenças entre os bons e ruins e a vida e seus altos e baixos. Quando ele foi embora senti um vazio muito grande dentro de mim e sabia que não o veria novamente pois ele já com seus 87 anos de pura serenidade e sabedoria estava cansado. Quando ele saiu pelo portão de minha casa e acenou com a mão a alguns passos adiante, realmente senti algo. Passaran-se dias e mais dias e logo se foi um ano em que meu amigo tinha ido embora, as lembranças das conversas que tivemos nos finais de tarde e aquele jogo de xadres que mais parecia um filme de tão demorado que era, realmente sentia falta disso e realmente saberia que não o veria mais. Dias atrás recebi a noticia de seu falecimento. Chorei em silêncio debaixo do chuveiro para amenizar a dor que sentia. Eu aprendi muito com meu amigo, uma coisa ele sempre dizia: “ri sempre, vive bem e ama muito”. Isso eu sigo até hoje.

  4. Tati Aoki disse:

    Bira, vou levar o ensinamento do seu amigo comigo! Adorei!

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