Arquivos do mês de dezembro, 2011

21

dez

2011

Últimas do ano

Por Tati Aoki – 5 Comentários


Sr. Noel, quero uma bike aro 26, favor comprar aqui.

Faltam 10 dias para o fim do ano, mas, como pretendo seriamente ficar do Natal até o Ano Novo sem usar internet, este é meu último post de 2011.

2011 pode ser classificado como um ano…Estranho. Começou bem, muito bem. Aí, em abril, resolvi virar uma asceta em todos os sentidos – e fiquei assim até o início de outubro. Ou seja, metade do meu ano foi dedicado à tentativa de me evoluir espiritualmente, e essas tentativas foram, salvo exceções, extremamente frustrantes. Conheci o cristianismo, messianismo, budismo, espiritismo, e tudo o mais que consegui. Foi um excesso que, no fim das contas, acabou dando um nó mental.

Estamos na era dos excessos. O fato de termos muitas oportunidades nos deixa ainda mais confusos, tamanha a quantidade de caminhos disponíveis. Consegui abandonar as coisas que descobri e mais me identifiquei (Yoga/Meditação) para descobrir outros caminhos interessantes, mas que fizeram deixar de me aprimorar no que me identifiquei.

Erramos, mas temos que ser humildes de voltar atrás.

Se você acha que está feliz com seu emprego, saúde, relacionamento, crença espiritual, esporte, etc., não fique buscando sarna pra se coçar – até porque, oportunidades para tal não faltam. O que aprendi em 2011 é: se o time está ganhando, não tente conhecer os outros times – tente se aprofundar nele.

Senão, viramos uma colcha de retalhos de conhecimentos pós-modernos.

Até mais, 2011.

Obs: a melhor coisa do ano? Conhecer a bicicletada e todas as pessoas maravilhosas que compõem a Massa Crítica.

Saúde e paz.

14

dez

2011

A voz da maturidade

Por Tati Aoki – 4 Comentários

Fui a uma festinha de confraternização do local em que faço pilates, no meio da tarde. E, entre cerca de 40 pessoas, eu era a única dos alunos com menos de 60 anos.

“Os mais jovens estão na academia”, disse uma das alunas, com seus mais de 70 anos.

Não desmerecendo a academia, afinal, já fiz esteira por alguns meses e até que não foi tão chato assim, mas…Será que seu corpo-mente aguenta, por muitos, muito anos, fazer movimentos mecanizados em aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura?

Embora “os jovens” estejam suando em esteiras e academias, a verdade é que os mais velhos têm muito a nos ensinar – e um desses ensinamentos é que, nem sempre, os movimentos vigorosos são os que te farão sentir prazer em atividades físicas. Às vezes, movimentos leves, porém precisos e prazerosos, são os que te darão motivação para exercitar-se independente da faixa etária.

Se me senti excluída no meio de pessoas bem mais velhas em uma festa que só conhecia o professor? Pior que não, porque os idosos (assim como as crianças), têm a tendência a eliminar o tal do ego e, por isso, não têm o menor pudor em puxar papo e falar de qualquer assunto com uma leveza sobrenatural – ao contrário de jovens, adolescentes e adultos, mais influenciáveis pelo que “os outros” irão pensar.

Temos que aprender com a sabedoria e a experiência do idoso. Eu não tenho mais avós, mas, se tivesse, não perderia a oportunidade de longas conversas com a voz da maturidade.

7

dez

2011

To give or to receive?

Por Tati Aoki – Comente

From the movie Lost in Translation (2003)

Artists and famous people are used to say that they have no privacy and so on. But in the other hand, they are also the ones that love the flashlights from paparazzi whenever they can. So, in some way, eveyone wants to be found, like it is said in Lost in Translation.

This makes me think that the fact that you are not forgotten and not anonymous makes you feel part of the world. And then, Mark Zuckerberg created Facebook, probably thinking that anonymous people wanted to be a celebrity, even if it is only between their 500 friends.

And everyone exposes their best phrases, bodies, pictures, songs, videos. Yeah, we want everyone to Like your life, even if it is miserable after turning off the computer – which is becoming even more difficult now, because people tend to not disconnect at all after Smartphone and their check-ins in Foursquare or Facebook Places.

So, the feeling of emptiness, of the absence of Likes, makes us seeing our reality that, maybe, we are having the same disease as the 15-minute celebrities: we want to be exposed in any circumstance – well, it would be ideal if it is just in our beautiful pictures, trips and clever phrases collected somewhere in the web.

That is why we feel so empty. We gave too much of ourselves into things that are not going to make us a better person. We have this Western tendency to give feelings, emotions, like everyone would like to receive it. Maybe they want, but you do not need to give what you do not have – if you don’t have any inner love, how could you share it? Someone would say the love is the meaning of life. But if you don’t have it, what can you do? Pretend that you have and make a huge effort to expose on social media again?

Maybe it is time to protect ourselves from being exposed, because it can be too late, and we will be acting like the 15-minute celebrity – if we are not already acting like that.

Save some of yourself to give your best from those who really deserves your best.

2

dez

2011

Silêncio de fim de ano

Por Tati Aoki – Comente

Procurei no Google e fiquei com vontade de ver esse filme, “Silence” (Chinmoku), de 1971.

Numa das eternas confraternizações que perdurarão até o fim de 2011, tento, em vão, conversar sobre medicina Ayurveda e veganismo com uma garota sentada em minha frente na mesa lotada de pessoas que não conheço. O barulho ensurdecedor de embriagados, músico ignorado ao violão tocando “Have you ever see the rain”, barulhos de copos e da chuva torrencial do lado de fora estavam praticamente me dando uma náusea. Era tanto mal estar que preferia ficar lá fora, sorvendo a fumaça do tabaco alheio.

2 da madrugada. Volto para casa. Um silêncio como nunca se ouve na cidade que nos deixa loucos, surdos e insensíveis, tudo ao mesmo tempo. Meu gato, todo serelepe e sem perceber o quanto estava desgastada, resolve brincar comigo de me morder, um de seus passatempos favoritos.

Pude ouvir o som dele abrindo a boca, do barulho do ar quando ele movia suas patas para me arranhar e de alguns grunhidos bem baixos que ele faz enquanto se diverte. Nunca, em oito meses, havia ouvido tais sons.

Escrevo isso enquanto um barulho ensurdecedor, envolvendo britadeiras, pedras sendo quebradas e mais um monte de prédios construídos em volta do meu lar vão desconstruindo minha capacidade de, simplesmente, vivenciar o silêncio. Não consigo ouvir sequer o som de meus pensamentos.

Onde está o silêncio? Gostaria de encontrá-lo antes que o ano acabe.

Words are very
Unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence…

(Depeche Mode)


(Versão ao vivo do Depeche Mode)