Arquivos do mês de maio, 2011

29

mai

2011

Somos cérebro, coração e entranhas

Por Tati Aoki – 1 Comentário

Um dos principais problemas contemporâneos é o uso excessivo do cérebro. Isso nos dá patologias e problemas emocionais, justamente por não trabalharmos nossas outras duas partes, relegadas a segundo plano na sociedade ocidental: coração e entranhas.

O coração, considerado uma parte nobre de nosso corpo, reflete nossos sentimentos, aquilo que “dói no coração”, nos faz ir às lágrimas sem explicação e nos faz dar aquele sorriso bobo de apaixonado.

Já as entranhas, parte que pretendo me deter um pouco mais, refere-se aos instintos básicos dos seres vivos, ou seja, reproduzir, defecar, sentir fome, sede, entre outros. São aqueles sentidos aparentemente incontroláveis, mas que, com nossa sociedade controladora, são os mais reprimidos.

Não adianta segurar a vontade de fazer xixi. Vai explodir. Não adianta esconder sua sexualidade. Vai explodir. Não adianta esconder sua fome. Vai explodir.

O que quero dizer com isso? Não é para liberar geral e agir como uma criança que não sabe se controlar e faz xixi na cama ou faz birra se está com fome. O adulto, quando tem consciência de si, consegue canalizar cada sensação de forma apropriada se souber identificar se a sensação encontra-se no cérebro, no coração ou nas entranhas. Essa dor no estômago que você sente é fome (entranhas), raiva (coração) ou uma lembrança ruim que lhe veio à tona (cérebro)? Saber identificar isso é difícil em uma sociedade que deturpa nossas sensações desde o nascimento. Exemplo: durante a infância, você foi condicionado à seguinte recompensa – se parar de chorar (coração) vai ganhar um doce (entranhas). E daí partem outras e mais confusões, e por isso que às vezes nos sentimos “confusos”. E estamos mesmo.

O pior é a sexualidade. Como diria o livro Rodas da Vida, os ocidentais vivem sob dois extremos: a hipersexualidade e repressão da sexualidade. Existe um equilíbrio. Mas cabe, de novo, você se conhecer para encontra-lo. Existem formas de canalizar as energias sexuais, por exemplo. Uma delas é meditar, fazer algumas posições de ioga e praticar exercícios. O pior é que funciona.

Quando você entende de onde vem as sensações de seu corpo, fica muito mais tranquilo canalizá-las.

23

mai

2011

Tentativa de jejum – Parte 1

Por Tati Aoki – Comente


Jejum em espanhol = ayuno

Acordei com vontade de jejuar e resolvi, pela primeira vez, de fato tentar, já que nunca havia ficado 24 horas sem alimento.

Fiquei exatas 16 horas sem ingerir nada, contando as horas de sono. Havia planejado dedicar o dia à leitura, ou seja, em praticamente não me mover.

Fiz meus exercícios matinais, meditei.

Estava tudo ok, li meus emails e, em seguida, apanhei o livro Cidadania, Classe Social e Status, de T.H. Marshall. Levei cerca de 20 minutos para ler um parágrafo e não conseguia raciocinar. Ou melhor: raciocinava, mas com uma lentidão absurda, pois cada frase era de um esforço descomunal para compreender. Ia e voltava nas frases, e parece que não as compreendia. Tive que desistir se quisesse ler 10 páginas em uma hora. E comi, para recuperar as forças – o retorno da energia foi imediato e consegui escrever esse post.

Como jejuar?
Só é possível se não fizermos nada o dia todo? Foi o que me pareceu.

Parece que não, mas a atividade mental exige muita energia, o que me leva à reflexão do livro: se metade da população do planeta não tem sequer alimentos para suas necessidades diárias (um direito social), como pode ele pensar de forma plena e agir? Por outro lado, como pode agir uma população que come muito, mas come mal, e também fica letárgica, mas pelo excesso de energia nula em seus corpos?

Voltando à minha experiência: tentarei jejuar novamente em uma próxima ocasião, mas sei que não conseguirei executar tarefas mentalmente complexas – talvez eu fique somente sob o sol de inverno, contemplando o ócio. Aí sim, conseguirei esquecer de minha existência nesse mundo?

Alguém quer se juntar a essa minha empreitada nem um pouco fácil?

Observação: procurei, no Google, imagens que correspondessem à palavra Jejum em, respectivamente, espanhol, inglês, chinês e francês (consulta aos dicionários Michaelis e Infossek). Essas são minhas imagens favoritas em cada idioma.


Jejum em inglês = fast


Jejum em chinês = 断食

Jejum em francês = Jeun

Observação 2: meu blog encontra-se com problemas de RSS e de postagens. Se alguém souber as soluções, agradeço :)

17

mai

2011

iPod e fone de ouvido: o fim

Por Tati Aoki – 4 Comentários

Meu primeiro iPod (2005).

Caminhando pelas ruas, sinto algo desconfortável em meus ouvidos: o fone do iPod, sim, o par branquinho e infalível, parou de funcionar do lado direito. Mexi, remexi, mas sei que é impossível ressuscitar um fone e tive que admitir que o aparato faleceu.

Já que não consigo ouvir música de um lado só do ouvido, no retorno para casa procurei algum outro par. Achei um e, novamente, o lado direito não funcionava. Me redimi e não entrei em nenhum site de compras online para procurar um novo par.

Após 10 anos escrava dos fones de ouvido para me locomover, tive que aposentá-los. Será que aguento ter de ouvir exclusivamente meus pensamentos, deixando o momento musical para contemplação exclusiva?

5

mai

2011

Antiginástica e consciência de si

Por Tati Aoki – Comente

Li um livro sobre antiginásticaO Corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, a criadora da modalidade – e fiquei absolutamente vidrada. Quero praticar, mas por enquanto estou em dúvida entre a antiginástica e pilates, principalmente pelo valor – antiginástica consegue ser mais caro do que pilates, que já é caro. Tenho o mês de maio para decidir qual será a nova prática na busca pela conexão corpo e mente.

Antiginástica, que ainda não comecei a praticar, mas fiz alguns exercícios por conta, nada mais é do que movimentos bem lentos – mais lentos do que a yoga e o tai chi chuan – que fazem com que você sinta quem é esse corpo que habita em você. Com a prática, consegui perceber, por exemplo, quais os pontos do meu corpo tocam o chão com mais força quando me deito, dentre outros detalhes de sentir-se morando em seu próprio corpo. Eis o trecho do livro que mais me marcou:

“Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar bastante faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva. Assim, acabamos “bancando o morto”, como se nossa maior preocupação fosse a de sobreviver até que o perigo – viver! – tenha passado. Triste paradoxo. Sinistra armadilha da qual não procuramos escapar, porque não temos consciência de estarmos presos” (p. 56)

Outro trecho para os que buscam a perfeição pelo esporte:

Antes de praticar esporte, antes de fazer expressão corporal, antes de interpretar os gestos do outro, antes de se considerar “fracassado” face ao comportamento dos próprios filhos, antes de empreender uma análise, antes de conformar-se com os problemas sexuais (…) … há um trabalho preliminar a fazer: a tomada de consciência do corpo” (p. 106)

De acordo com o livro, o método não é amplamente divulgado porque: “incluí-los nos programas tradicionais significaria que estes seriam derrubados, exigiria uma total revisão tanto dos programas como da visão do ser humano sobre a qual se apóiam. Mas para ver ou rever é preciso abrir os olhos; é preciso ter coragem de observar o corpo como totalidade, mesmo se essa observação contradiz verdades sacrossantas. E é exatamente isso que as “autoridades”, os especialistas, não estão dispostos a fazer. Então, a única esperança de que um maior número de pessoas possa aproveitar do trabalho de Françoise Mézières é através da informação direta dessa descoberta que qualquer pessoa – até mesmo um profissional – pode verificar com os próprios olhos, com a experiência do próprio corpo” (p. 115).

Sobre a acupuntura como medicina preventiva:

“Desde sempre a acupuntura foi a medicina preventiva por excelência. Os mandarins da antiga China pagavam o médico para que lhes conservasse a saúde e deixavam de pagar assim que ficavam doentes” (p. 149).

O livro é pesado, um soco no estômago. Vale a pena, mas dói no corpo todo.

1

mai

2011

Estudar é o começo da fritura cerebral

Por Tati Aoki – 3 Comentários

A trilha de Tron, do Daft Punk, é a minha inspiração desde o início do ano para quase tudo

É diante da tela do computador tendo como papel de parede o círculo de Tron que paro para respirar depois de apenas 40 minutos estudando freneticamente, escrevendo em um caderno, com a caneta Bic quase furando as folhas. É um transe que machuca meu cérebro, e ele frita tanto que, em seguida, fico com uma vontade absurda de sair correndo.

Levanto, ando para lá e para cá, tenho vontade de deitar no chão, de cabeça pra baixo. Dá vontade de fazer tudo o que uma biblioteca não permite: gritar, chorar, chutar as cadeiras. Mas eu não posso, porque tenho que manter-me sob as regras sociais se não quiser ser malquista em meu local favorito em São Paulo, o CCSP.

Estudar é isso: uma das coisas mais fascinantes e perturbadoras que existe. Quem não gosta é porque desconhece o universo novo dentro de pouco mais de uma centena de páginas.

O livro que me fez pirar? Como elaborar projetos de pesquisa, de Antonio Carlos Gil. E esse é só o começo do meu projeto Frugal.

Ai.

Daft Punk – The Grid

The Grid.

A digital frontier.
I tried to picture clusters of information as they Moved through the computer.
What do they look like? Ships, motorcycles.

With the circuits like freeways.

I kept dreaming of a world I thought I’d never see.
And then, one day… I got in.