14

jan

2014

Alimentação: 10 dicas para emagrecer mudando pequenos hábitos

Por Tatiana Aoki em Alimento, Corpo

Achei essa imagem super fofa. Fonte: http://benpikaisyouhou.net/

Um dos assuntos que mais me pedem dicas é sobre alimentação, saúde e bem-estar – temas da minha pesquisa de mestrado. Vou compilar 10  que podem te ajudar a ter hábitos mais saudáveis. São dicas que podem ser adotadas no cotidiano. Vamos lá:

1)   Coma devagar.

Acho difícil comer devagar. Comer devagar é fazer cada refeição por, em média, 20 minutos. O ideal seria 30 minutos.

2)   Cronometre o tempo que você leva para fazer cada refeição.

Na primeira vez que cronometrei minha refeição descobri que comia um prato em apenas 9 minutos. Hoje, tento fazer uma refeição em 15 minutos quando como sozinha. Quando estou acompanhada acho mais fácil comer devagar, simplesmente porque há espaço para a comunhão – a refeição é, em si, algo social.

3)   Mastigue os alimentos.

Não precisa mastigar 60 vezes cada garfada. Mas, mastigue mesmo cada alimento. Saboreie. Em nossa rotina louca, a coisa mais difícil é focar no que estamos comendo – quanto mais em nossa mastigação. Faça o teste.

4)   Não coma lendo, vendo TV e, principalmente, não coma mexendo no celular.

O que mais reparo hoje em dia são pessoas comendo enquanto usam o Facebook e Whatsapp (isso é um tópico para minha outra função, já que trabalho com mídias sociais). Hora de comer é hora de comer, ponto.

5)   Evite os alimentos artificiais.

Sim, aquela comida dita light, diet ou glúten free pode ser igual ou pior do que a coxinha frita do boteco da esquina. Isso porque esses alimentos “funcionais” frequentemente são repletos de conservantes, corantes, adoçantes e outras substâncias absolutamente irreconhecíveis. A medicina ainda não sabe os efeitos de longo prazo do uso abusivo destas substâncias.

6)   Quer comer um doce? Coma um que valha a pena.

O crime capital de 80% das mulheres são os doces. Se você sabe que não vai adiantar cortá-los da dieta, coma aqueles que você mais gosta e saboreie mesmo. Você gosta de chocolate? Coma dois gominhos de chocolate depois do almoço daquela doceria que você curte. E pronto. Gosta de cookies? Coma uma unidade grande ou duas pequenas e segure a onda. Não compre doces em grandes quantidades só porque estava barato.

7)   Cozinhe os alimentos engordativos para saber como são feitos.

Eu não curto muito cozinhar, mas, sei fazer todos os meus pratos e alimentos favoritos – engordativos ou não. Gosto de pão e sei que engorda – logo, faço meu próprio pão e tento incrementá-lo para ficar mais saudável. Vamos dizer que você ama cheesecake. Tente fazer um dia: dá trabalho e é bem gorduroso. Depois que fiz meu cheesecake, lembro de como foi feito e que não é tão leve quanto parece.

8)   Café da manhã: a refeição mais importante.

No período da manhã, você pode comer uma refeição substanciosa pelos seguintes motivos:

-       Não vai morrer de fome no almoço;

-       Vai gastar essa energia ao longo do dia;

-       Seu corpo normalmente não está tão condicionado a fatores externos (como estresse, ansiedade) e pedirá os alimentos certos para o seu corpo.

Essa é a minha refeição favorita e como tudo que necessito: pão integral caseiro, queijo ou pasta de tofu caseira, banana, castanhas, café com leite desnatado. Também evito doces pela manhã, acho que contamina o resto do dia comendo uma besteira aos 5 minutos do primeiro tempo.

9)   Álcool: evite sempre que puder.

Se tem uma coisa que engorda sem você perceber, essa coisa é o álcool. Além de engordar por si só, quando você bebe fica menos crítico e come o que vier pela frente: a porção de batatas fritas, o provolone à milanesa, um pacote inteiro de amendoim. E, depois de tudo, sente fome e come um baita sanduíche. Aí sua dieta dificilmente vai engrenar.

10)   O que estou sentindo é fome?

Parece bobagem, mas, muitas vezes, confundimos fome com preguiça, sono, ansiedade, nervosismo, tédio e sede. Antes de pegar o pacote de bolacha, pare e pense: estou com fome mesmo? Comeria uma maçã ou um ovo cozido em vez desse pacote de bolacha? Quando sinto a fome disfarçada – normalmente quando estou com tédio – tomo água ou chá verde.

Bom, essas foram minhas primeiras 10 dicas de alimentação. Semana que vem posto dicas de exercícios físicos. Comentários? Dúvidas?

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4

set

2013

Manaus: viajando com o boto-cor-de-rosa

Por Tatiana Aoki em Cidadania, Mobilidade, Pensar

Passeio de barco pelo Rio Amazonas.

Desde que me conheço por gente, tinha um sonho: conhecer Manaus. Não, não era Bonito, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis. Era Manaus. Queria ver a floresta amazônica, olhar o rio, comer comidas típicas, entrar no Rio Negro…E aí vamos nós!

Peguei o vôo e me senti a maior desbravadora: do alto do avião, vi aquela floresta imensa e um rio que não tinha fim. Já senti um arrepio e a música majestosa do Rei Leão veio imediatamente à minha mente:

Mas, também prestei atenção às recomendações quanto ao lado negativo da cidade, que são:

-       calor. Muito calor;
-       sujeira;
-       exploração do turista.

Pois bem, tudo isso é realmente verdade. Pelo locais em que andei, grande parte de Manaus se parece a região da Luz, só que a parte suja. É, aquela mesma, atrás da estação da Luz – em que há mais sujeira e vendedores ambulantes do que lugar para caminhar.

Ainda com essas ressalvas, continuei na minha principal meta: conhecer a floresta amazônica. Sim, o lugar é amazônico – eu até dormi no trajeto de barco até a tribo indígena, porque é bem longe, leva mais de uma hora. Esse passeio, fora a experiência de uma semana na cidade, me levaram aos prós e contras de Manaus (AM):

Pontos Positivos:

1)   Comida. Se você gosta de peixe, Manaus é o paraíso. Comia todos os dias, já que em qualquer lugar há peixe. Gostei ainda mais porque costumo sofrer para achar lugares com peixes bons e acessíveis em São Paulo.

2)   Comida. As frutas são incríveis: abacaxi sem acidez, bananas perfeitas, mangas de vários tipos, mamão…Delírio para os amantes de frutas – novamente, o meu caso.

3)   A floresta. Ir ao Amazonas e não fazer um passeio na mata, mexer em um boto e nadar no Rio Negro é como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel.

4)   Casas flutuantes. Sim, há uma comunidade de casas, comércio e até igreja “Deus é Amor” em versão flutuante. Se estiver em um passeio de lancha, peça para ver essas peculiaridades.

Pontos Negativos

1)   Calor. É quente mesmo. Não consegui correr por mais de 20 minutos no parque, porque me senti muito cansada em pouco tempo. E olha que eu sou friorenta.

2)   Sujeira. Se uma coisa tem que ser melhorada em Manaus, é a limpeza. Realmente, é sujo: lixo espalhado por todo lugar e mercados com lixos a céu aberto são cenas recorrentes.

3)   Trânsito. É um problema em várias cidades do país, mas, particularmente em Manaus, a coisa é braba. Quase não há semáforo para pedestres, e os veículos dirigem totalmente sem noção. Para piorar, não há faixas divisórias nas vias. Pois é, não há faixas nas ruas – e as calçadas são tão esburacadas que é melhor esquecer o salto alto.

4)   Turistas. Sabe-se que a exploração ao turista é bem comum em qualquer lugar. Só que, no caso de passeios como na floresta, a exploração é ainda maior, porque ficamos 100% dependentes de agências de viagens. Fique de olho e peça recomendações antes de fechar seu pacote!

E hoje começa o congresso do Intercom, onde ministrarei uma oficina sobre estratégias de Facebook. Acabou o turismo, mas começa o maior congresso de comunicação da América Latina!

Obs: sei que o post não tem nada a ver com o propósito do blog, mas, achei que valeria a pena compartilhar essa experiência ;)

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21

ago

2013

Diretrizes para alimentação: conclusões do mestrado

Por Tatiana Aoki em Alimento, Saúde

No que tange à análise do tema central, antes de iniciá-la, é válido reforçar que a escolha das diretrizes se deu pelos seguintes critérios:

1) Frequência e destaque do assunto nos documentos estudados;

2) Verificação de referências, marcos e fontes adotadas pelos autores;

3) Relevância para a pesquisa.

Alicerçadas nos critérios acima, em seguida foram elencadas um total de 32 diretrizes, divididas em quatro temas centrais, cujas categorias se encontram a seguir:

Parte I: Alimentação: como fazer a nova abordagem? – fornece 16 Diretrizes práticas para a abordagem do tema;

Parte II: Significado dos termos e classificações das informações sobre alimentos - levanta questionamentos e sugestões sobre quais termos utilizar e em quais contextos. Total de quatro Diretrizes.

Parte III: Comida e suas conexões com o meio ambiente – apresenta uma amplitude do assunto e intersetorialidade do tema. Total de quatro diretrizes.

Parte IV: Comida – uma questão cultural e política – mostra a relação entre comida, política e cultura. Total de 7 diretrizes.

Optou-se pela adoção do termo “diretriz” porque a pesquisa acredita em condutas, e não em regras para se abordar o tema da alimentação. Regras limitam, cerceiam a autonomia do indivíduo; já a autonomia permite que lhes dê embasamento crítico para fazer as próprias escolhas, de acordo com sua realidade individual e social.

Parte I: Alimentação: como fazer a nova abordagem?

1) Não atribuir somente a culpa individual pela situação alimentar

As escolhas alimentares são determinadas não tanto pela preferência e pelos hábitos, mas muito mais pelo sistema de produção e de abastecimento de alimentos, bem como pelas condições econômicas. Há, de fato, uma influência biológica e de padrões alimentares adquiridos; porém, há igualmente uma influência atrelada a fatores externos, como condições socioeconômicas e do meio ambiente, o que traz o caráter de denúncia das condições de trabalho, saúde e econômicas das pessoas.

Ao identificar que a condição alimentar não é somente responsabilidade individual, amplia-se a possibilidade de os indivíduos agirem em prol de si mesmos e de sua comunidade, cobrando ações por parte do governo para coibir questões, que interfiram em sua saúde (ações de marketing para alimentação, propagandas, empresas que adulteram alimentos), bem como exigir alimentos saudáveis e acessíveis, subsidiados pelo governo, entre outras medidas.

2) Encontrar as brechas na grande mídia para criar informações alternativas, próprias e locais…

A ideia não é combater determinados tópicos, como o fast food, mas mostrar que existem outros caminhos, assim como garantir que alternativas existam e prosperem (POLLAN, 2007, p. 279). Um exemplo é divulgar movimentos alternativos e que pouco aparecem na grande mídia, como o ‘Freeganismo’, Projeto Educando com a Horta Escolar, entre outros.

3) ….Não ser tão radical e não negar totalmente a grande mídia

A abordagem não pode visar somente à crítica aos padrões atuais, mas também se valer de exemplos concretos para se repensar hábitos de produção e consumo.

4) Evitar evangelizar da mesma maneira que a mídia de nutrição/dieta

A importância da informação sobre alimentação saudável implica em fornecer condutas para que as pessoas possam ter autonomia para tomar escolhas, sejam elas saudáveis ou não. Todavia, é obrigação do comunicador e do Estado informar a verdadeira procedência dos alimentos e as implicações tanto individuais como sociais para um alimento altamente processado.

5) Ao propor novas práticas em alimentação, evitar o tom de denúncia

Em contraposição ao tom de denúncia, vale dar sugestões para se enxergar a alimentação sob outros pontos de vista – com base na cultura, nos fatores políticos e sociais. Como recurso, recomenda-se usar o humor − inclusive quando tratar de algo mais sério, como, por exemplo, quando falar em mudanças no sistema de produção de alimentos. Este recurso foi amplamente adotado por Pollan (2008), sobretudo quando tratou do nutricionismo.

6) Mencionar que a questão do alimento está inserida no âmbito político e econômico

O modelo econômico possui uma lógica de desenvolvimento levado às últimas consequências. Para compreender essa dinâmica, recomenda-se trazer à tona conceitos como sustentabilidade, agroindústria, indústria alimentícia. Esse tratamento intersetorial viabiliza abordar a questão da saúde como um tema intrínseco às questões do solo, das plantas, dos animais e dos seres humanos (POLLAN, 2007).

7) Evitar o nutricionismo quando for elaborar pautas

Repensar no fetichismo com o uso da ciência como o único instrumento confiável para se lidar com a natureza (POLLAN, 2008). Não é porque foi publicado um estudo científico que a informação está correta e pode ser divulgada: cada estudo exige uma apuração. É importante pensar na questão ao se deparar com algum dado e/ou estudo encontrado em, por exemplo, revistas de dietas.

8 ) Desconfiar de textos como “um estudo indicou que”…

Basta comparar os textos que se percebe a contradição: um estudo fala que o chocolate faz bem; o outro, que pode te matar a qualquer momento. Além disso, quando for escrever sobre alimentação, a moderação é o tom, pois, mesmo que o estudo seja relevante para divulgação, cada indivíduo tem uma lógica própria. Uma divulgação inadequada, como “coma chocolate e emagreça”, pode adoecer um diabético com problemas de peso.

9) Ao falar de algum alimento novo, em vez de fazer somente a divulgação, ensine-o a ler o rótulo

Pollan (2008, p. 127) preconiza: ensine o indivíduo a ler rótulos, destrinchando os ingredientes sem floreios e termos científicos, difíceis de entender. O que significa cada um dos termos? Qual a porcentagem de milho em um salgadinho? E, dos ingredientes citados, que significa emulsificante, encontrado no rótulo do frango empanado? No exemplo citado, a resposta seria: Emulsificante significa impedir que a água e as gorduras se separem. Se o indivíduo sabe ler o rótulo, consegue identificar a reação de determinado alimento em seu organismo.

10) Estimular o questionamento sobre a origem das coisas

Em vez de instigar a pessoa a pensar “O que devo comer?”, trazer à tona a pergunta “O que estou comendo? E de onde isso veio?”. Se o indivíduo ou o comunicador não conseguirem conceber, provavelmente a comida é pouco saudável. No longo prazo, tais mudanças obrigarão os produtores de alimentos a repensar suas condições de produção de alimentos em escala industrial.

11) Comida e o preço – um debate político

O preço da comida entra no debate político: o “barato sai caro”. Uma alimentação baseada em escolhas dadas apenas pelo preço pode trazer sérias consequências à saúde. Por outro lado, no Brasil, grande parte da população compromete uma alta porcentagem de sua renda com alimentos. Neste caso, é papel do Estado subsidiar uma alimentação saudável para estratos familiares de menor renda. No longo prazo, disponibilizar alimentos pouco nutritivos acarreta em DCNG, cujos custos altos serão também subsidiados pelo Estado.

Além disso, ao tratar do preço dos alimentos, apontar os demais custos relacionados à produção dos mesmos, isto é, os custos adicionais para a saúde, o meio ambiente e para o trabalhador.

12) Tamanho é documento – tamanho das porções

É importante incentivar a impopular diretriz para comer menos. A moderação alimentar assim como os tipos de alimentos ingeridos são elementos importantes à manutenção da saúde. Enquanto a comida for vista apenas como condição de consumo, isto é, mais por menos, tamanho de porções, o que vai prevalecer é o lema da quantidade em detrimento da qualidade. Além disso, a questão da quantidade é outro atributo do capitalismo: quanto mais, melhor, e tal condição pode ser posta em questão em prol da saúde individual e do meio ambiente.

Outro ponto de destaque é com relação ao autocontrole: as pessoas não param de comer quando se sentem cheias. A fome não funciona desse jeito. Isso porque pesquisadores descobriram que os seres humanos (e os animais), quando apresentados a porções grandes de comida, costumam comer 30% a mais (POLLAN, 2007). Nesse sentido, a orientação é que os produtores diminuam as porções e, por consequência, o preço dos alimentos.

13) Não às Proibições ou limitações alimentares

De acordo com Brasil (2006), a supervalorização e/ou mistificação de certos alimentos em detrimento de outros, ressaltando somente as características nutricionais ou funcionais, não é uma prática que promove a alimentação saudável.

14) Não às dietas da moda

Os padrões estéticos exigem um padrão “da moda” muitas vezes irreal para grande parte da população. Com isso, são divulgadas “dietas milagrosas” para perda de peso, de forma acentuada e rápida (BRASIL, 2006, p. 24). Essas dietas da moda, na maioria das vezes, causam prejuízos à saúde, e não atendem aos requisitos exigidos de uma alimentação saudável para a manutenção do bem-estar.

15) Para falar de alimentos: aprenda a cozinhar

Um dos principais recursos para entender os alimentos é cozinhando e compreendendo a cultura gastronômica. Na prática, essa percepção possibilita uma produção de conteúdo mais investigativa, ao elaborar uma informação sobre o alimento: sua procedência, modos de distribuição, entre outros.

16) Mostrar que é possível uma alimentação saudável no cotidiano

Uma das principais estratégias de marketing de alimentos da indústria alimentícia é criar um vínculo sígnico/simbólico da pessoa com a marca. Tal procedimento não reverte necessariamente em consumo da marca, mas em uma identificação com um determinado estilo de vida, em que o consumidor toma tais comportamentos como “forma de manifestação de seus hábitos” (TRINDADE, 2012, p. 79), reforçando sua visão de mundo.

Nesse sentido, quando for falar de alimentação saudável, é positivo usar a mesma abordagem de vínculo da indústria, mas, para outro fim, que é o de estimular uma alimentação saudável, identificada com o cotidiano, por meio de alimentos acessíveis e locais. É válido trazer essa percepção, a fim de que o indivíduo questione e mude os pequenos hábitos no cotidiano.

17) Questionar: a validade do alimento

Para detectar o grande dilema da indústria alimentícia, uma das maneiras é fazer perguntas como: “é possível um frango valer por anos?”; “Por que o leite hoje é válido por tantos meses?”. Quando se questiona a validade, bem como os ingredientes dos alimentos, é levantada a longa e obscura cadeia da indústria alimentícia.

Parte II: significado dos termos e classificações das informações sobre alimentos

18) Procure fontes midiáticas fora do Brasil – e da caixa

Fontes de informações diferenciadas do discurso do nutricionismo podem ser encontradas em setores da saúde pública e de movimentos alinhados à Promoção da Saúde. Além disso, estudar culturas alimentares de países com baixos índices de doenças relacionadas à dieta – como a mediterrânea, francesa, coreana ou japonesa – proporciona novas diretrizes que, por vezes, podem ser aplicadas à realidade nacional.

19) Significado dos termos: saudável, orgânico, diet.

A reflexão profunda sobre o que cada palavra significa (orgânico, sustentável, natural) enriquece os conteúdos sobre alimentação. A mídia e a indústria frequentemente atribuem significações a termos de acordo com seus interesses; por isso, é importante ficar atento aos termos e não os repetir somente porque alguma autoridade científica ou produto alimentício lançou tal termo.

20) Classificação de termos 1: natural ou industrializado?

Diversos estudiosos vêm sugerindo esse tipo de classificação, que separa os alimentos entre naturais e industrializados. Essa divisão parte da prerrogativa de que o início da epidemia de obesidade coincide com o período em que os alimentos altamente processados passaram a compor uma parte grande da dieta das pessoas.

21) Classificação de termos 2: integral ou processado?

Quanto ao processamento dos alimentos, o Brasil (2006) criou uma escala composta por três grupos:

Grupo 1: frutas, verduras, legumes, grãos, carne, leite e ovos frescos, entre outros. Ou seja, se há apenas um ingrediente (por exemplo, banana, ovo), é um produto do grupo 1.

Grupo 2: reúne ingredientes culinários, isto é, alimentos que sofrem um processamento mais intenso – como refinar, moer ou extrair gorduras –, mas que não são consumidos por si só. É o caso das farinhas, óleos, massas e açúcar.

Grupo 3: são os alimentos ultraprocessados, equivalente a industrializados prontos ou semiprontos para consumo. Sua preparação é basicamente composta de produtos do Grupo 2, com pouca ou nenhuma participação do Grupo 1. Entram nessa categoria biscoitos, salgadinhos, refrigerantes, e também lanches de grandes redes de pizza e hambúrguer, que são apenas montados ou aquecidos no local. O recomendado é que a alimentação se baseie principalmente em alimentos do primeiro grupo, com elementos do segundo. Os ultraprocessados devem entrar em uma proporção mínima na dieta.

Parte III: Comida e suas conexões com o meio ambiente

22) Comida e sustentabilidade

Para trazer a conexão entre comida e sustentabilidade, é conveniente dar exemplos aplicáveis, como ensinar as pessoas a reaprenderem o que significa comer levando em conta as estações do ano (POLLAN, 2007). É importante também trazer conteúdos que tratem do reaproveitamento de alimentos – sem fazer alusão de que se trata de sinônimo de pobreza ou avareza.

23) Alimentação mais verde

Alimentação natural, variada e de origem vegetal: essa é basicamente a diretriz recomendada por todos os órgãos oficiais, como FAO, OMS e o ‘Guia Alimentar para a População Brasileira’ (BRASIL, 2010). Esse tipo de alimentação contribui na proteção contra doenças, e é consenso científico em relação aos princípios de alimentação adequada, como ficou evidente nos anos de 1980 e foi consolidada nos anos de 1990 (BRASIL, 2006, p. 34). Tal reorientação de prioridades “[...] incentiva o delineamento de políticas para criar ou proteger sistemas alimentares baseados em uma grande variedade de alimentos de origem vegetal” (BRASIL, 2006, p. 34).

Há também consenso de que uma dieta rica em alimentos de origem vegetal é benéfica para a saúde, bem como permite que se desenvolvam e identifiquem formas efetivas de apoio a práticas sustentáveis de produção de alimentos.

24) Comida e vegetarianismo: o que realmente importa?

Ao tratar do vegetarianismo, em vez de limitar o discurso apenas a que tipo de alimentos comer e disponibilizar receitas, abordar também a seguinte questão: “a espécie do animal que comemos pode ser a ser menos importante do que aquilo que o próprio animal está comendo” (POLLAN, 2007, p. 288). Nesse sentido, o discurso sobre vegetarianismo pode se ater mais aos modos de produção de alimentos – seja de origem animal, seja vegetal – do que pelo alimento em si.

25) Comer de forma consciente

Informar sobre o comer consciente traz à tona a longa cadeia “cármica”, que fez o alimento chegar à mesa (POLLAN, 2007, p. 17). Vale incentivar não comer à maneira industrial – isto é, comer sem pensar no que está fazendo (POLLAN, 2007, p. 434). Alimentar-se com consciência, prestando atenção ao que se está comendo, também estimula a desconfiança em relação aos alimentos industrializados, que favorecem serem comidos sem prestar atenção. Tais alimentos normalmente são menos nutritivos e dados a comer de forma compulsiva.

Parte IV: Comida – uma questão cultural e política

26) SAN, DHAA, Soberania Alimentar: temas viáveis em todas as editorias

Por serem temas complexos, a questão da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), bem como seus componentes, como o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e a Soberania Alimentar, demandam uma abordagem mais aprofundada.

Vale acrescentar que, uma vez que a SAN implica em diversas interfaces, um dos pontos centrais que podem ser destacados é não só falar do acesso aos alimentos, mas também inserir a questão da realização do direito, dando a conotação da necessidade de intervenção política e social.

27) Aspectos da insegurança alimentar: acesso e excesso

A contemporaneidade vive dois dilemas: a pobreza, que é empecilho para acesso ao DHAA; e a obesidade, cuja questão é o tipo de acesso que se tem ao alimento. Portanto, vale destacar que tanto a fome quanto a obesidade são aspectos da insegurança alimentar e, no fim, da desigualdade social.

28) Trabalhar com a questão do sistema alimentar

O sistema alimentar traz à tona que o alimento corresponde a um conjunto profundamente influenciado pelas condições naturais como clima, solo, história, cultura, políticas e práticas econômicas e comerciais. Nesse sentido, é válido retratar como o alimento advém de um conjunto de processos que incluem agricultura, pecuária, produção, processamento, distribuição, importação e exportação, publicidade, abastecimento, comercialização, preparação e consumo de alimentos e bebidas (COSTA, 2011).

29) Compreender a cultura alimentar do seu país, região, cidade

Antes de divulgar um novo alimento “milagroso” e/ou importado, compreender se há sentido em inseri-lo na cultura do local em que o conteúdo está sendo produzido. Isso porque a alimentação e a saúde estão vinculadas também à questão do grupo, dos indivíduos e de seu ambiente; além disso, a maneira de viver do indivíduo apoia-se na cultura, nas crenças e nos valores compartilhados entre as pessoas. Dessa maneira, vale compreender não só os aspectos que envolvem a saúde dos indivíduos, mas também os hábitos e a cultura do local em que estão inseridos.

30) Pensar em padrões alimentares

Em vez do termo “hábitos alimentares”, o uso do termo padrões alimentares detecta uma visão ampliada da questão. O padrão alimentar de uma população resulta de uma cadeia de causas, que se inicia na produção e comercialização dos alimentos, passando para os parâmetros de transformação do alimento dentro das indústrias, e ao mercado publicitário e midiático, para Costa (2011).

No caso específico do Brasil, o padrão alimentar atual contribui para o aumento da obesidade e não estimula a alimentação saudável – pontos centrais que podem ser levados a debate ao informar sobre alimentação.

31) Alimentação: assunto interdisciplinar

Alimentação não concerne somente ao setor saúde, mas, sim, possui um espectro ampliado de áreas que envolvem a questão. Com isso, a alimentação deve ser vista sob a integração de outros setores e atores sociais – cientistas sociais, antropólogos, profissionais da saúde, jornalistas, entre outros.

32) Alimentação saudável é um direito social

Alimentação como direito social pressupõe a intervenção estatal, por meio de políticas públicas. Em nível coletivo, é também responsabilidade do Estado o incentivo de mudanças socioambientais, para favorecer as escolhas saudáveis em nível individual ou familiar.

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17

jul

2013

“Menos é mais”…em Buenos Aires

Por Tatiana Aoki em Cidadania, Mobilidade, Pensar

A frase acima, muito difundida em nossos tempos de excesso, parece sutil, mas é bem difícil de cumpri-la na prática. Contudo, mesmo sem pensar na questão, acabei incorporando algumas práticas da simplicidade em uma viagem. Vamos lá:

Fui pela primeira vez a Buenos Aires para participar de um congresso. Percebi que lá (ao contrário do Japão) é igual ao Brasil: se você quiser, pode gastar bem pouco. Mas, se quiser, pode torrar todo seu dinheiro, sobretudo com comida e souvenirs.

E, quando se viaja sozinha, você pode fazer escolhas livremente – o que é bom e ruim. Fiz péssimas escolhas alimentares – como um restaurante japonês que custou mais de 150 reais e uma torta que comi e depois passei mal. Ou, quando fui ao cemitério da Recoleta e todo mundo só ficava dando risada e tirando fotos, tirando totalmente o clima de cemitério.

Mas, o mais interessante é que as melhores coisas que vivenciei foram as mais simples. As melhores comidas foram as que cozinhamos no hostel – um frango feito por colombianos, um bolo feito por um francês e uma empanada que comi no meio da madrugada, em uma casa de dois velhinhos que vendiam para quem havia saído na noite portenha.

Ou, quando caminhei por mais de 10 quilômetros em um frio de seis graus e só percebi à noite que estava com bolhas nos pés. Aliás, meus programas favoritos de Buenos Aires não foram as atrações turísticas: foram as caminhadas e conversas com pessoas do mundo todo.

Sim, o que importa são as coisas simples, que nos confortam e mudam nossa vida – mesmo sem querer.

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21

mai

2013

Decisões da nova era

Por Tatiana Aoki em Mente, Pensar

Essa imagem é antiga - nota-se pelos modelos de celulares...Imagina como está hoje?

Faz muito  tempo que não escrevo aqui. Seja por estar finalizando a dissertação de mestrado e o trabalho, seja pelas reflexões que pairam sobre o meu futuro.

Bem, a verdade é que, diante dos fatos, não posso mais negar que as mídias sociais são o direcionamento de minha carreira. Nesse quesito, noto o quanto as mudanças cotidianas são cada vez mais drásticas:

1)   Deixamos de postar em blogs para opinar diretamente no Facebook;

2)   As empresas não criam mais sites, e sim, páginas nas redes sociais;

3)   Ninguém presta atenção em nada ao redor, de tão vidrados no Face, Whatsapp e games;

4)   Pessoas absolutamente relutantes e céticas em relação a redes sociais resolveram criar um perfil no “Face”.

Bem, acho tudo isso muito interessante, mas…Esse movimento acontece no Japão há mais de quatro anos. Na época em que morava lá, pensava: “Será que os brasileiros um dia ficarão assim, só olhando para suas telas de celulares? Não, acho que no Brasil seria meio perigoso essa distração toda”. Ledo engano.

Hoje, no metrô, observe: estamos todos vidrados nos celulares e tablets.

Noto também que meu comportamento mudou: li meus últimos livros no Kindle e não senti nenhuma diferença – pelo contrário, achei até melhor, porque os  “livros” ficam mais leves.

O meu ultimato se deu no domingo de manhã, quando li a Folha no tablet. Sempre acreditei que a coisa mais gostosa do mundo era ler jornal impresso após tomar café da manhã. E, não, lá estava eu, lendo no tablet porque estava com preguiça de comprar o jornal na banca.

Pois é, essas e outras constatações me fizeram confirmar que devo continuar minha trajetória profissional em mídias sociais, que começou com um blog e um perfil no Orkut em 2004, passou pelo Face em 2007 e, hoje, fico pensando qual será a próxima galinha de ouro digital.

Por outro lado, acredito que minha pesquisa – alimentação – também seja um assunto extremamente atual. Mas, considero-a ainda um movimento de influência menor, pelos motivos a seguir:

1)   o governo não quer mexer no vespeiro da indústria alimentícia e farmacêutica;

2)   frequentemente, as pessoas não querem mudar os hábitos e deixar de comer coisas que nem podem ser chamadas de comida;

3)   no Brasil, comida não é tanto questão de escolha, mas, necessidade. Por isso, a dificuldade em mudar.

Enquanto tomamos leite com uréia em nossos pacatos cafés da manhã, mudamos diariamente nossos hábitos de nos comunicar e interagir. Só observo – e me divirto. Compartilharei esse post no Face, claro.

Obs: pretendo mudar radicalmente este blog – principalmente pela invação de spams nos comentários e, claro, pelo fato de este blog estar velho em  todos os sentidos. No segundo semestre, novidades ;D

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